Thursday, December 11, 2008

EDULCORANTES E ASPARTAME




Existe a percepção de que os adoçantes não calóricos podem afectar a saúde. Os edulcorantes são substâncias que dão doçura aos alimentos. Podem ser calóricos como a sacarose (açúcar vulgar), frutose, glucose, mel, etc. Ou ter um valor energético muito baixo, comparativamente aos calóricos, para o mesmo poder adoçante.





Ao usar o termo "edulcorantes" vamos referir-nos apenas a estes últimos, que incluem o acessulfame K, o aspartame, a sucralose, a sacarina, etc.




A utilização de edulcorantes em substituição do açúcar deve-se normalmente ao objectivo de produzir alimentos ou bebidas de valor energético reduzido, já que o poder edulcorante dos mesmos pode ser entre 150 e 600 vezes superior ao do açúcar e consequentemente a quantidade utilizada será muito inferior.




Tendo em consideração o problema da obesidade, este é um objectivo socialmente muito relevante, mesmo que o impacto na redução do ganho de peso, tendo por comparação o açúcar, seja menor do que o esperado.




É que o hábito de consumo de produtos doces mas de baixas calorias pode enfraquecer a associação natural entre o sabor doce e as calorias, o que poderá diminuir a influência do consumo de um produto doce na redução do apetite.




Os edulcorantes são aditivos alimentares pelo que a sua utilização está legislada, sendo absolutamente segura na perspectiva da saúde. Alguns edulcorantes são usados há dezenas de anos; o mais atacado recentemente, o aspartame, é usado há mais de 20 anos.




Existem mais de 200 estudos favoráveis ao aspartame e o desenho ou a execução dos poucos estudos desfavoráveis foram facilmente questionados pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), retirando-lhes qualquer valor científico.




Por vezes é afirmado que o consumo de edulcorantes a partir de várias fontes pode levar a um consumo superior à dose diária aceitável (ADI), mas tal é praticamente impossível, já que obrigaria ao consumo de quantidades impensáveis dos respectivos alimentos.








Não há certezas acerca da segurança dos adoçantes intensos




Aditivos alimentares, tais como os adoçantes intensos, são fortemente regulados. Nenhum aditivo alimentar pode ser utilizado sem ser considerado seguro e ser aprovado. Na Europa esta aprovação é dada pela European Food Safety Authority (EFSA). A Comissão Europeia determina os níveis máximos dos aditivos nos diferentes alimentos. Estes níveis máximos são cuidadosamente calculados com uma margem de erro de cem vezes. Há uma certeza absoluta acerca da segurança de adoçantes aprovados, tais como o aspartame.





Andrew G Renwick, Emeritus Professor, School of Medicine, University of Southampton, Reino Unido








Fontes:
▪ Declaração Científica Bruxelas (2006)
▪ Managing Sweetness - Unesda (2006)
▪ Website Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (www.efsa.europa.eu)
▪ Website Agência Portuguesa para Segurança Alimentar e Económica (www.asae.pt) ▪ The intake of intense sweetners - an update review - Andrew G. Renwick - School of Medicine, University of Southamptom (2005)








Fonte: ANIRSF – Associação Nac. dos Industriais de Refrigerantes e Sumos de Frutos

Thursday, December 4, 2008

APARELHO AUDITIVO ASSUME-SE COMO UM ACESSÓRIO DE MODA



Joana Borges


A Audioclínica, empresa na área da reabilitação auditiva, acaba de lançar no mercado uma nova versão do aparelho de audição Brite. Descobrir o Mundo é o nome da nova série limitada de aparelhos Brite, que prima pelo design étnico inspirado na combinação dos quatro elementos da Terra e a mística dos continentes: águia, peixe, dragão e elefante. Uma série que respeita as preferências individuais de cada um e o ritmo moderno e citadino dos grandes centros urbanos.





Tal como a versão anterior lançado em 2007, esta nova série combina o design moderno, colorido e jovem com um tamanho reduzido, semelhante ao de uma azeitona. Completamente despido de complexos, este aparelho auditivo assume-se como um ponto final em todos os constrangimentos que acompanham o tema da perda de audição entre a população.




Sob o mote "Sem complexos, faz a tua própria moda. Ouve e faz-te ouvir", este aparelho, através da sua irreverência e estilo próprio, é indicado para qualquer idade devido à sua elevada performance tecnológica e forma de adaptação.




Dos cinco sentidos, a audição provavelmente é o mais importante para a comunicação com o mundo que nos rodeia. Os sons do ambiente e da comunicação servem para nos unir aos outros e manter o contacto com o exterior. Dados do National Institute for Deafness and other Communication Disorders indicam que cerca 30% das pessoas com mais de 65 anos sofre de perda de audição, bem como 40%-50% com mais de 75 anos sofre desta mesma problemática. Entre os jovens, estima-se que 17 em cada 1.000 pessoas com menos de 18 anos tem perda de audição. Este é um problema cada vez mais comum na camada mais jovem devido aos comportamentos de risco que se verificam actualmente, como uma maior assiduidade a ambientes ruidosos (como discotecas e bares) e a utilização incorrecta dos auscultadores (MP3, Phones, Auriculares, entre outros).




Todos os dias milhões de pessoas utilizam óculos, porque vêem mal, sendo este um acessório que já se adaptou às diversas modas e estilos. O Brite surge com o mesmo posicionamento, pretendendo facilitar o uso de um aparelho auditivo e ao mesmo tempo orientando a escolha do consumidor de acordo com o seu próprio estilo e personalidade.




Daniela Ruah, embaixadora do Brite em Portugal explica: «a nossa meta para 2009 é mudar a mentalidade da sociedade actual, demonstrando que a utilização de um aparelho auditivo não tem necessariamente que rotular ou envergonhar o utilizador. Com esta nova série limitada de design moderno e actual, o Brite vai passar a ser encarado como um acessório do dia-a-dia dos portugueses com problemas auditivos, tornando-se gradualmente num acessório de moda, tal como já acontece hoje em dia com os óculos».




As características ímpares do Brite valeram-lhe a distinção de melhor produto de design europeu com o Reddot Design Award 2007, um dos mais prestigiados concursos de design do mundo. http://en.red-dot.org/1290+M5ce8884c505.html.




O Brite incorpora uma tecnologia inovadora - denominada de sistema lifestyle profile - que identifica as prioridades de cada indivíduo, de modo a adaptar-se ao seu estilo de vida. O aparelho adapta-se automaticamente aos melhores parâmetros de amplificação de forma a satisfazer as necessidades individuais de cada utilizador.




Sobre a Audioclínica




A AudioClínica foi fundada em 1992 como um pequeno centro de reabilitação auditiva inserido numa clínica em Carcavelos, subúrbio a cerca de 25 km de Lisboa. Neste momento, a AudioClínica apresenta-se como a única cadeia de centro auditivos 100% portuguesa, incluindo 7 centros em Portugal continental, 1 na madeira e 2 em Cabo Verde. Até 2011, a empresa pretende duplicar o número de centros de atendimento ao público prosseguindo a sua política de expansão. Além da venda directa , a empresa desenvolveu a vertente de distribuição para todos os produtos que representa, fornecendo hospitais, clínicas, médicos e audiologistas.




A AudioClínica, representa em Portugal, em exclusivo, a prestigiada marca Suíça de alta precisão: Bernafon.

A Bernafon é actualmente um dos líderes mundiais no fabrico de aparelhos auditivos sendo um dos fabricantes que mais investe em investigação e desenvolvimento de novos aparelhos e

tecnologia auditiva. Os seus produtos são reconhecidos pela qualidade inabalável e características diferenciadoras e inovadoras.








Tipos de Aparelhos Auditivos:




Aparelhos Intra-Auriculares CIC, completamente inseridos no canal auditivo, sendo praticamente invisíveis. O "Intra Canal", muito discreto (ITE) e intracanicular (ITC) são acomodados no interior do canal auditivo. O clássico "Retro Auricular" (BTE) é colocado atrás da orelha, ficando praticamente imperceptível O BRITE que utilisa a nova tecnologia «Receiver in the Ear» (RITE), ou seja, o auscultador inserido no canal auditivo é no fundo um híbrido entre os retro-auriculares e os intracaniculares. Alguns componentes do aparelho colocam-se por cima do pavilhão como um retro-auricular (mas muito mais pequeno) e outra parte, dentro do canal auditivo como um intracanicular.






Fonte: Best News®


Monday, December 1, 2008

AS BEBIDAS REFRIGERANTES ENGORDAM? SÃO BOMBAS CALÓRICAS




O ganho de peso ocorre porque o "input" energético dos alimentos e bebidas ingeridos é maior do que o "output" energético resultante do efeito combinado do metabolismo basal e da actividade física. Esta diferença entre o "input" e o "output" energético pode ser influenciada por factores genéticos, hormonais e comportamentais. O facto essencial é que as pessoas que ganham peso o fazem porque estão a ingerir mais calorias do que precisam.





A pré-obesidade e a obesidade estão, assim, directamente relacionadas com um balanço energético positivo, resultante de excesso de ingestão em relação aos gastos.
Programa Nacional de combate à Obesidade




É falsa a ideia de que os refrigerantes são bombas calóricas. As bebidas refrigerantes não representam a ingestão de muitas calorias dentro do total de calorias diariamente ingeridas na dieta alimentar.




Um projecto de investigação realizado em Espanha (2004) pela Universidade Complutense (Departamento de Nutrição) mostra que a ingestão média diária de energia da população adulta daquele país é de 2134 Kcal e evidencia que a contribuição calórica dos refrigerantes para essa dieta é de 1,2%.




Em Portugal, estudos realizados, embora não representem uma amostra da totalidade da população, mostram idênticos resultados. O relatório sumário do estudo feito pela Faculdade de Medicina do Porto (2006), com o apoio da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica - ASAE, mostra que a ingestão calórica média da população abrangida é de 2190 Kcal (dia) , observando que a ingestão de refrigerantes, sumos de frutos e néctares é de cerca de 75 ml (média dia), o que representa um aporte calórico de 27 Kcal/dia, ou seja, 1,2% da dieta calórica da população adulta do Porto[1].




Na mesma linha, diferentes estudos têm mostrado não haver evidências científicas de que o consumo de refrigerantes (independentemente do respectivo teor calórico), associado a uma dieta equilibrada e estilos de vida activos, contribua para o aumento de peso.




A indústria de refrigerantes, graças à inovação e ao desenvolvimento de novos produtos oferece ao consumidor uma escolha alargada e variada de produtos, estando disponível no mercado uma enorme diversidade de produtos, designadamente, refrigerantes sem calorias ou com baixo teor calórico, o que poderá constituir uma opção para todos aqueles que pretendem reduzir o peso.





[1] A comparação entre Portugal e Espanha não é linear, devido ao facto do consumo português ter sido considerado de forma agregada para refrigerantes, sumos e Néctares. O consumo per capita de refrigerantes, sumos e néctares é consideravelmente superior em Espanha (Estatísticas Canadean).




Fonte: ANIRSF – Associação Nac. dos Industriais de Refrigerantes e Sumos de Frutos

Thursday, November 27, 2008

NOVOS ALCOÓLICOS TÊM ENTRE 20 A 30 ANOS



João Tomásio


Nos últimos dez anos tem aumentado o número de jovens entre os 20 e 30 anos de idade com problemas graves de alcoolismo. A iniciação ao álcool acontece ainda na adolescência, com o consumo de bebidas altamente graduadas.





O novo perfil de alcoólico dependente foi traçado durante o segundo dia de trabalhos do IV Congresso Nacional da Psiquiatria, a decorrer no Luso até 28 de Novembro. Também o tabagismo constitui um problema de dependência, com incidência forte na puberdade, onde tudo começa. O consumo da nicotina nesta fase pode ser um forte indicador de futura psico-patologia.




"A dependência ao álcool registou uma mudança de padrão. Há uma década os alcoólicos dependentes tinham entre 40 e 50 anos. Hoje estão na casa dos 20/30 anos e o consumo tem como objectivo obter um estado alterado de consciência', afirma Célia Franco, psiquiatra do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra.




Os novos alcoólicos jovens iniciam o consumo na adolescência, por volta dos 14 anos. Ao contrário dos adultos de meia-idade, não têm uma vida estruturada e uma personalidade definida, o que provoca graves prejuízos para a sua saúde mental. O álcool altera o funcionamento a nível neurológico e pode resultar em psicoses e comportamentos desadequados, sobretudo a nível familiar e profissional.




Portugal, como país produtor de bebidas alcoólicas, apresenta muita permissividade em relação ao consumo das mesmas. Segundo a psiquiatra, faltam estudos que analisem o impacto desta dependência e de outras, nomeadamente as drogas e o tabagismo, cujos consumos estão associados.




O consumo do tabaco é responsável pela morte prematura de 660 mil pessoas por ano dentro dos 27 estados-membros da União Europeia, representando 15% das mortes. É a principal causa de mortalidade e morbilidade evitável. Mais uma vez, é também a adolescência que despoleta esta dependência. Segundo Sara Mendes Moreira, psiquiatra do Hospital Geral de Santo António (Porto), ‘o início do hábito tabágico, muitas vezes, começa como um ritual de passagem para o mundo dos adultos. Há uma incidência crescente de co-morbilidade psiquiátrica nos adolescentes que fumam. O consumo de cigarro nesta fase parece ser um forte indicador de futura psico-patologia.




A especialista alerta para o facto do vício abranger cada vez mais mulheres jovens e defende uma intervenção preventiva na adolescência. Afirma ainda que a implementação da nova lei do tabaco (em vigor desde Janeiro) não reflecte o aumento de adesão às consultas de cessação tabágica.








Fonte: ADBDCommunicare, Consultores Associados

Tuesday, November 25, 2008

HÁ OU NÃO ALIMENTOS PROIBIDOS PARA DIABÉTICOS?



Dr.ª Alexandra Bento


A terapia nutricional é uma das componentes fundamentais na abordagem terapêutica da diabetes mellitus (DM) e deve caminhar lado a lado com a prática regular de actividade física e com a medicação anti-diabética.





Em geral, a alimentação dos diabéticos deve ser tão equilibrada, variada e completa como a alimentação de qualquer indivíduo saudável, não havendo lugar para alimentos proibidos. À luz do conhecimento actual, não se justifica encorajar as pessoas diabéticas a não comer hidratos de carbono. De facto, é importante que incluam na alimentação diária o consumo de frutos, hortícolas, cereais de grão inteiro e leguminosas, todos ricos em hidratos de carbono, mas igualmente ricos em fibra alimentar, vitaminas, minerais, antioxidantes e outras substâncias protectoras.




Apesar de os diabéticos não estarem absolutamente proibidos de ingerir açúcar ou alimentos ricos em açúcar, convém lembrar que estes alimentos, além de contribuírem para uma rápida subida da glicemia (açúcar no sangue), apresentam, normalmente, uma elevada densidade calórica e, simultaneamente, défices de fibras, vitaminas e minerais. Por isso, não acrescentam qualquer valor a uma alimentação sadia, além do contributo para o aumento de peso.




A Associação Americana de Diabetes e a Associação Europeia para o Estudo da Diabetes recomendam uma ingestão de açúcares e produtos açucarados não superior a 10% do valor energético total. Os alimentos ricos em fibra assumem, assim, particular importância na alimentação dos diabéticos. Para além de contribuírem para a saúde gastrointestinal no seu todo, diminuem o pico de glicemia pós-prandial, ajudam a reduzir os níveis plasmáticos de colesterol e, por serem, saciantes, podem ajudar a controlar o peso.




As pessoas com diabetes apresentam um risco acrescido de doença cardiovascular, pelo que são aconselhadas a reduzir a ingestão de gordura saturada (até 7% do valor energético total), a evitar o consumo de gorduras trans e a limitar o consumo de colesterol até a um valor máximo de 200 mg/dia. Por outro lado, o consumo de gorduras monoinsaturadas (azeite, óleo de canola, óleo de amendoim) parece exercer um efeito benéfico no perfil lipídico, pelo aumento do bom colesterol.




Da mesma forma, as gorduras polinsaturadas, particularmente os ácidos gordos ómega 3 de cadeia longa, presentes, de forma natural, no peixe gordo, têm um efeito cardioprotector. É, por isso, que Associação Americana de Diabetes recomenda a ingestão mínima de 2 porções de peixe por semana.




Tal como a generalidade da população, os diabéticos devem comer várias vezes ao dia e a horas regulares, privilegiando os métodos de confecção saudáveis, nomeadamente a cozedura ao vapor, os estufados, os grelhados e as caldeiradas. Para temperar os alimentos devem usar ervas aromáticas e especiarias, limitando ao máximo o uso de sal.




Muitos dos produtos dietéticos que se encontram disponíveis no mercado devem ser consumidos com moderação e sob orientação do nutricionista. Isto porque, apesar de alguns até serem desprovidos de açúcares, podem ter elevada quantidade de gordura na sua constituição, contribuindo o seu consumo, nomeadamente, para o aumento de peso. Por isso, é fundamental aprender a ler e a interpretar os rótulos dos alimentos.






Mitos e verdades




A diabetes é causada pela ingestão excessiva de açúcar?

Mito: O excesso de açúcar pode desregular o balanço energético e contribuir para a obesidade. Embora a diabetes tipo 2 esteja associado à obesidade e possa ser rastreada nas famílias com excesso de peso ou obesidade, não está directamente ligada à ingestão de açúcar;




Os doentes diabéticos não devem comer açúcar ou hidratos de carbono?

Mito: Não há alimentos proibidos, desde que sejam consumidos com moderação, dentro de um

plano alimentar bem equilibrado.




As mulheres com diabetes podem engravidar e amamentar?

Verdade: As mulheres com diabetes devem ser acompanhadas por uma equipa multidisciplinar e controlar devidamente as suas glicemias antes de engravidar e durante a gravidez. Amamentar também é recomendado, por ser importante para a mãe e para o bebé.





Quando se faz insulina ou anti-diabéticos orais pode-se comer o que se quiser?

Mito: A insulina ou outros medicamentos orais para a diabetes são apenas parte do tratamento. Aliado a eles está uma alimentação adequada, uma actividade física regular e a monitorização frequente da glicemia. A cura para a diabetes ainda não existe e tanto a insulina quanto os medicamentos orais não substituem os cuidados com a alimentação.








"Apesar de os diabéticos não estarem absolutamente proibidos de ingerir açúcar ou alimentos ricos em açúcar, convém lembrar que estes alimentos contribuem para uma rápida subida da glicemia"








Dr.ª Alexandra Bento

Presidente da Direcção da Associação Portuguesa dos Nutricionistas (APN)



Fonte: Jornal do Centro de Saúde

Monday, November 24, 2008

DIABETES NÃO IMPEDE A PRÁTICA DE EXERCÍCIO



Dr. Rodrigo Ruivo


Face às alterações bruscas nos hábitos culturais e sociais, a alterações na dieta e à prática de estilos de vida menos saudáveis, tem-se verificado uma progressão da diabetes, constituindo-se actualmente como a quarta causa de morte nos países desenvolvidos.





Estima-se que, nos dias de hoje, cerca de 585 mil portugueses com diabetes (o correspondente a 7,8% da população portuguesa adulta) e que este número continuará a aumentar. A diabetes é uma doença crónica, caracterizada pelo aumento dos niveis de açúcar no sangue.




Podemos identificar a diabetes tipo I ou insulino-dependente, em que as células do pâncreas, produtoras de insulina, estão destruídas, o que obriga o doente a administrar insulina diariamente. Já a diabetes tipo II ocorre quando as células se tornam resistentes à insulina ou ainda durante a gravidez (a chamada diabetes gestacional).




A diabetes é uma doença indolor e, como tal, para se poder diagnosticar deve-se estar atento a determinados sintomas: urinar frequentemente e em grande quantidade (poliúria); sede intensa e constante (polidipsia); fome constante e dificil de saciar (polifagia), ou a sensação de boca seca.




Na presença de algum deste(s) sintoma(s), o diagnóstico pode ser depois confirmado através da medição da glucose no sangue em jejum ou após prova de tolerância oral à glucose. Considera-se que tem diabetes se o valor de glicémia (em jejum > 126 mg/ dL), confirmado em medições separadas, ou se, 2 horas após tomar 75 g de glicose, apresentar valores de glicémia > 200mg/dL.




Se este diagnóstico for tardio ou se não se conseguirem controlar valores de glicemia, a probabilidade de virem a ocorrer complicações numa série de orgãos aumenta. Estas complicações podem ser microvasculares (retinopatia, neuropatia ou nefropatia) ou macrovasculares (macroangiopatia, hipertensão arterial, enfarte do miocárdio ou AVC).




Urge então que a pessoa diabética adopte um estilo de vida saudável, com uma dieta alimentar cuidada e com prática de actividade física regular, para que consiga sempre manter os valores de glicose no sangue o mais próximo possível dos valores normais.




Para alcançar este objectivo, surge a prática de actividade física, que deve englobar uma componente de treino cardiovascular, 20-60 minutos por sessão, três a quatro sessões por semana, com intensidades de treino gradativamente superiores, uma componente de treino de força e uma componente de treino de flexibilidade, procurando manter uma boa capacidade de alongamento geral. Importa salientar que para os diabéticos de tipo II é importante que ocorra, na maior partes dos casos, uma perda de peso e, como tal, recomenda-se geralmente um dispêndio calórico semanal associado ao treino Diabetes não impede a prática de exercício
Dr. Rodrigo Ruivo


Face às alterações bruscas nos hábitos culturais e sociais, a alterações na dieta e à prática de

estilos de vida menos saudáveis, tem-se verificado uma progressão da diabetes, constituindo-se actualmente como a quarta causa de morte nos países desenvolvidos.





Estima-se que, nos dias de hoje, cerca de 585 mil portugueses com diabetes (o correspondente a 7,8% da população portuguesa adulta) e que este número continuará a aumentar. A diabetes é uma doença crónica, caracterizada pelo aumento dos niveis de açúcar no sangue.




Podemos identificar a diabetes tipo I ou insulino-dependente, em que as células do pâncreas, produtoras de insulina, estão destruídas, o que obriga o doente a administrar insulina diariamente. Já a diabetes tipo II ocorre quando as células se tornam resistentes à insulina ou ainda durante a gravidez (a chamada diabetes gestacional).




A diabetes é uma doença indolor e, como tal, para se poder diagnosticar deve-se estar atento a determinados sintomas: urinar frequentemente e em grande quantidade (poliúria); sede intensa e constante (polidipsia); fome constante e dificil de saciar (polifagia), ou a sensação de boca seca.




Na presença de algum deste(s) sintoma(s), o diagnóstico pode ser depois confirmado através da medição da glucose no sangue em jejum ou após prova de tolerância oral à glucose. Considera-se que tem diabetes se o valor de glicémia (em jejum > 126 mg/ dL), confirmado em medições separadas, ou se, 2 horas após tomar 75 g de glicose, apresentar valores de glicémia > 200mg/dL.




Se este diagnóstico for tardio ou se não se conseguirem controlar valores de glicemia, a probabilidade de virem a ocorrer complicações numa série de orgãos aumenta. Estas complicações podem ser microvasculares (retinopatia, neuropatia ou nefropatia) ou macrovasculares (macroangiopatia, hipertensão arterial, enfarte do miocárdio ou AVC).




Urge então que a pessoa diabética adopte um estilo de vida saudável, com uma dieta alimentar cuidada e com prática de actividade física regular, para que consiga sempre manter os valores de glicose no sangue o mais próximo possível dos valores normais.




Para alcançar este objectivo, surge a prática de actividade física, que deve englobar uma componente de treino cardiovascular, 20-60 minutos por sessão, três a quatro sessões por semana, com intensidades de treino gradativamente superiores, uma componente de treino de força e uma componente de treino de flexibilidade, procurando manter uma boa capacidade de alongamento geral. Importa salientar que para os diabéticos de tipo II é importante que ocorra, na maior partes dos casos, uma perda de peso e, como tal, recomenda-se geralmente um dispêndio calórico semanal associado ao treino de 2000 kcal.


Precauções e Cuidados Especiais




Os indivíduos com esta doença, em conjunto com os instrutores que os acompanham no exercício físico e outros profissionais de saúde, deverão ter especial atenção a alguns critérios de segurança, nomeadamente:




- Monitorizar a glicemia antes, durante e após o treino, evitando quaisquer possibilidades de hipoglicemia, pelo menos até que o sujeito conheça a sua resposta glicémica para determinado exercício físico;




- Importante conhecer sinais e sintomas de hipoglicémia (dor de cabeça, visão turva, confusão, etc)




- (para evitar hipoglicémia) Evitar injectar insulina nos locais que vão ser mais exercitados (preferir zona abdominal) e treinar durante o pico de actividade de insulina (para diabéticos tipo I)




- Ter disponível uma fonte de hidratos carbono de indíce glicémico elevado




- Evitar manobra de valsalva e exercícios em isometria, para não aumentar Pressão Arterial




-Em casos de neuropatia periférica tratar devidamente os pés (usar calçado adequado) e vigiar o estado dos pés (se tem feridas ou não por exemplo). Em caso de retinopatia o treino de força ou aeróbio de grande intensidade é contraindicado, pelo risco hemorragia vítrea ou descolamento da retina




- Manter hidratação adequada antes, durante e após o treino.





Dr. Rodrigo Ruivo
Dir. Centro Exercício Club Clinica das Conchas
Mestrando Exercício e Saúde na Faculdade de Motricidade Humana
Formador CEF - musculação e cardiofitness



Fonte: Jornal do Centro de Saúde

Wednesday, November 19, 2008

INFECÇÃO VIH/SIDA. AS CLIVAGENS DE UMA PANDEMIA



Dr. Kamal Mansinho


A Síndroma de Imunodeficiência Adquirida (SIDA) é, sem dúvida, a mais grave das doenças víricas infecciosas emergentes, que rapidamente se propagou por todos os continentes.





Desde a descoberta do Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), em 1981, este vírus já infectou, aproximadamente 60 milhões de pessoas no mundo, das quais 25 milhões já faleceram. Durante o ano de 2007, registaram-se 2,5 milhões de novas infecções, das quais 1,7 milhões (68%) ocorreram na África sub-Saariana. Foram, igualmente, registados aumentos importantes na Europa Oriental e Ásia Central, havendo indicações que as taxas de infecção terão aumentado em mais de 50%, desde 2004.




A epidemia da SIDA está a aumentar de forma impressionante o número de órfãos, particularmente, nos países com elevada prevalência. Em todo o mundo, mais de 15 milhões de crianças perderam um ou ambos os progenitores por doença associada à SIDA. Estima-se que em 2010 este número poderá atingir 40 milhões, ultrapassando a capacidade de resposta das redes sociais e dos padrões tradicionais de dependência intergeracional e criando uma geração de pessoas sem acesso à educação, não socializadas e, muitas vezes, desprovidas de qualquer tipo de assistência.




Além da enorme tragédia humana que esta doença representa, os custos económicos, sociais e emocionais desta pandemia são preocupantes e constituem uma grave ameaça para o crescimento e estabilidade económica de todos os países e, muito particularmente, para os países em vias de desenvolvimento.




Nos países com fracos recursos, a SIDA continua a matar pessoas no auge das suas vidas produtiva e familiar, tendo efeitos gravíssimos sobre o quotidiano e os meios de subsistência das famílias afectadas. Mesmo quando os medicamentos ou os preservativos são fornecidos gratuitamente, as famílias mais pobres podem não ter recursos para garantir as suas necessidades nutricionais mais básicas ou para pagar os cus-tos de deslocação para os estabelecimentos de assistência.




O facto de muitas pessoas com infecção VIH/SIDA viverem em países pobres, levou muitos investigadores a definir esta doença como uma doença da pobreza. No entanto, esta afecção não está confinada aos países mais pobres, corroborando a ideia de que as relações entre pobreza e infecção VIH/SIDA não são simples nem directas e que variáveis mais complexas para além da pobreza, no sentido estrito, contribuem para a dinâmica de propagação desta epidemia em todo o mundo.




Há dados que sugerem que, em alguns países, a riqueza também se correlaciona com a susceptibilidade à infecção VIH/SIDA.




Em África, a prevalência da infecção VIH revelou uma correlação positiva com o rendimento nacional, constatando--se, por exemplo, em alguns dos países mais ricos como a África do Sul, Botswana ou Angola, uma intensa propagação desta epidemia na comunidade.




Em pleno século XXI, não podemos deixar de nos confrontar com a amarga realidade de que apenas 10% da população mundial infectada, ou com SIDA, tem acesso aos progressos terapêuticos até agora alcançados. De um lado tem estado o mundo ocidental, rico, capaz de fazer face aos avultados custos do tratamento e do acompanhamento dos doentes infectados por VIH, do outro os países em vias de desenvolvimento, onde se concentram cerca de 90% da população infectada do mundo, privados dos recursos mais elementares para a assistência e tratamento desta doença.



Nesta era da globalização, nunca a questão da solidariedade tanto nacional como internacional, se tornou tão crítica, remetendo-nos para a urgente necessidade de investigar soluções eficazes e menos onerosas para o controlo da pandemia da SIDA de modo a abranger todos os países e, em cada país, todos os estratos sociais.




É neste contexto de precariedade social e económica e de debilidade das infraestruturas sanitárias que se assiste à expansão do acesso aos medicamentos para o tratamento de doentes com infecção por VIH/SIDA nos países com fracos recursos.




A crença generalizada que os doentes são os únicos responsáveis pelo cumprimento dos seus tratamentos é enganadora e, a maior parte das vezes, reflecte o desconhecimento de como outros factores exercem influência sobre o comportamento das pessoas e a capacidade para aderir a um conjunto de recomendações.




A adesão a um projecto de assistência aos doentes infectados por VIH/SIDA é um fenómeno com múltiplas dimensões e depende da interacção de múltiplos factores, que deverão ser avaliados de forma sistematizada pelas equipas de acompanhamento, entre os quais, factores sociais e económicos, factores relacionados com a equipa que presta assistência e com o sistema de saúde, factores relacionados com a doença, factores relacionados com o tratamento e factores relacionados com o doente.




Os benefícios conseguidos com as actuais combinações de medicamentos, prescritos para o tratamento da infecção por VIH, estão a criar nas pessoas a ilusão de eficácia terapêutica ilimitada, senão mesmo de cura da doença, favorecendo o desenvolvimento de comportamentos pouco seguros, os quais facilitam o aparecimento de novas infecções e a emergência de variantes de VIH resistentes aos tratamentos disponíveis.




A minimização das trágicas consequências da epidemia da SIDA passará por uma vontade política forte das nações, por uma atitude concertada e racional das organizações governamentais e não governamentais e por um empenhamento cada vez maior da sociedade civil no combate desta doença que alguém chamou de "peste do século XXI".








Dr. Kamal Mansinho,
Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, EPE
Hospital de Egas Moniz Instituto de Higiene e Medicina Tropical
Universidade Nova de Lisboa







Fonte: Saúde em Revista

Friday, November 14, 2008

CUIDADOS PALIATIVOS ME PORTUGAL SÃO AINDA UM ENORME DESERTO EM PORTUGAL

CÉLULAS ESTAMINAIS, NO CORDÃO DA VIDA


Andreia Pereira


Após nove meses de gestação, eis que surge finalmente o momento tão aguardado: o parto. Mas se, para uns, o acto de cortar o cordão umbilical não passa de um gesto simbólico, há outros que nele vislumbram uma nova fonte de vida. As células estaminais do sangue do cordão umbilical são, desde há uns anos, alvo de investigações no mundo inteiro. E, embora ainda não sejam a receita mágica para todas as maleitas, em certos casos, já ajudaram a salvar vidas.





Em 2003, aquando do nascimento do filho mais velho, Isabel Araújo não equacionava a hipótese de recorrer às células estaminais do sangue do cordão umbilical, pelo menos num futuro próximo. "Decidi criopreservar, por julgar que, dada a evolução científica, dentro de uns anos as células estaminais poderiam vir a ser úteis no tratamento de doenças corriqueiras da sociedade actual."




Dois anos mais tarde, em 2005, nasce Frederico Manuel, o segundo filho de Isabel Araújo. Como havia congelado as células estaminais do primeiro filho, optou novamente pela criopreservação. Nunca imaginou que as células conservadas dois anos antes viessem a ser a peça-chave no tratamento do filho recém-nascido. Acontece que, por força das circunstâncias, Frederico veio a ser o destinatário das células estaminais. Não das suas, por transportarem a sua doença genética, mas as do irmão mais velho.




"O Frederico teve um crescimento normal até ao primeiro trimestre de vida. Aos seis meses, depois de ter tido alguns problemas respiratórios, apresentava um quadro clínico complicado", diz Isabel Araújo, farmacêutica. No hospital de Coimbra, foi então detectada uma pneumonia extensa, resultante de uma imunodeficiência adquirida. Perante o diagnóstico, Frederico foi imediatamente sujeito a um internamento hospitalar, porque, paralelamente às frequentes infecções, o corpo rejeitava os alimentos.




"Os médicos indicaram logo como solução o transplante de medula óssea. E os estudos de histocompatibilidade revelaram que o irmão mais velho poderia ser dador de Frederico", acrescenta. Acontece que, quando se colocou a hipótese de realizar o transplante com as células estaminais do primeiro filho, Isabel Araújo não hesitou em responder afirmativamente. "Com estas células, pudemos ajudar o Frederico a ter uma cura com sucesso, sem necessidade de sujeitar o irmão mais velho e saudável a uma hospitalização."




Em Fevereiro de 2007, Frederico, a primeira criança portuguesa a receber um transplante de células estaminais do cordão umbilical, criopreservadas num banco privado, começou uma nova vida. Após a "transfusão" com as células do irmão mais velho, no IPO do Porto, para onde foi transferido, seguiu-se, ainda, um "processo lento de recuperação".




Agora, passado um ano e meio do "susto", Isabel Araújo não podia estar mais segura de que fez a escolha certa. "Foi uma sorte termos criopreservado as células estaminais." Actualmente com três anos, a criança já brinca, mantém o contacto com outras crianças e tem a qualidade de vida que não tinha antes do transplante. "O Frederico não tinha leucócitos [glóbulos brancos] e, hoje em dia, depois da intervenção, essas células já estão em número normal para uma criança com o escalão etário dele."







"Sangue do meu sangue"




Apesar de esta ser uma história com um final feliz, nem todos os casos têm o mesmo desfecho. Isto porque, "tipicamente, há uma probabilidade de 25% de os familiares directos, dadores de células estaminais do cordão umbilical, serem compatíveis", assegura o Prof. José Conde Belo, do IBB/CBME, Universidade do Algarve e membro da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais e Terapia Celular.




O especialista salienta, no entanto, que "este caso de sucesso mostra como as células estaminais do sangue do cordão umbilical são uma boa fonte e devem ser preservadas". Sendo estas células "mais plásticas do que as da medula óssea", apresentam um maior potencial de cura nas situações de doença hematopoiética (sanguínea).




O Dr. Hélder Cruz, responsável pela ECBio, uma empresa de investigação em terapias celulares, reitera esta tese. "Dizem alguns autores que as células estaminais do sangue do cordão umbilical são mais bem toleradas pelo sistema imunitário do receptor do que as células da medula óssea." Para além disso, não obrigam a uma histocompatibilidade de 100%, como acontece com o transplante de medula. É, por esta razão, que José Belo diz ser "mais fácil encontrar um dador de células do cordão umbilical do que da medula óssea".




Com a criopreservação, acresce ainda o facto "de serem as células a aguardar o doente e não o inverso", diz Hélder Cruz, reportando casos em que o doente aguarda meses ou anos por um dador compatível. Mas, na opinião do responsável da ECBio, as vantagens não se ficam por aqui. "Embora consista apenas numa punção dos ossos da bacia, a colheita da medula é mais invasiva para o dador. O procedimento é mais facilitado com as células estaminais do sangue do cordão umbilical, porque estas já se encontram armazenadas e, após isolamento, prontas a serem utilizadas, bastando para isso a administração das células isoladas no receptor."




Por serem mais "imaturas", "as células estaminais do sangue do cordão umbilical têm um maior potencial de diferenciação em qualquer tipo de células da linhagem hematopoiética" assegura José Belo. Quer isto dizer que, embora não sejam um seguro biológico contra todas as doenças, permitem oferecer a cura em dezenas de situações patológicas do foro sanguíneo, nomeadamente as leucemias, os linfomas, as anemias, entre outras.








Guardar ou não guardar: eis a questão




Para muitos pais, esta é a pergunta que se levanta antes do nascimento do seu filho. Valerá a pena criopreservar? "Há apenas uma probabilidade de um em cada 20 mil casos de as células preservadas poderem vir a ser utilizadas pelo próprio (transplante autólogo). Porém, defende José Belo, "a criopreservação funciona como um seguro: se realmente a sua utilização for necessária, e possível, estão lá". E, em certas situações como a do Frederico, poderão ter utilidade para familiares de primeiro grau.






Já Hélder Cruz diz que, embora para já não haja "promessas milagrosas", a ciência está em constante descoberta das potencialidades destas células. É deste modo que se apresenta como um apologista acérrimo da criopreservação. "Sou completamente a favor da conservação de materiais biológicos enquanto se é saudável, mesmo sabendo de antemão de que estas células não concedem uma protecção total."Para o responsável da ECBio, conservar as células estaminais do sangue do cordão umbilical "é mais uma arma terapêutica", no caso de ocorrer um problema grave de saúde. José Belo partilha desta opinião e acrescenta, ainda, que, à semelhança de outros países europeus, este material biológico deveria ser criopreservado num banco público, servindo a generalidade da população que, eventualmente, necessite de células compatíveis para um transplante.




Acontece que, em Portugal, esta medida ainda não passou do papel, mesmo tendo já sido apresentada uma proposta.








O que são células estaminais




Por serem imaturas e indiferenciadas, as células estaminais têm a capacidade de reconstruírem funcionalmente qualquer tecido in vivo. Há, no entanto, três classificações de células estaminais, de acordo com o seu potencial de diferenciação:




- Células estaminais embrionárias (no topo da hierarquia): fazem parte do "botão embrionário" e são consideradas "pluripotentes", porque, devido à sua plasticidade, conseguem dar origem a qualquer tipo de tecidos. A utilização destas células envolve, contudo, questões ético-legais;




- Células estaminais do sangue do cordão umbilical: tecido líquido que se obtém do cordão umbilical por um processo de centrifugação. As células de interesse são colhidas, depois quantificadas e, posteriormente, criopreservadas em azoto líquido no período de 25 anos (o tempo máximo, até agora testado, que garante a qualidade deste material biológico). Estas células, pertencentes à linhagem hematopoiética, conseguem-se diferenciar em qualquer célula do foro sanguíneo;




- Células estaminais adultas: existem nichos destas células em alguns órgãos do adulto. Contudo, por já serem parcialmente diferenciadas, só conseguem originar um conjunto restrito de tecidos específicos.





Embora não sejam um seguro biológico contra todas as doenças, permitem oferecer a cura em dezenas de situações patológicas do foro sanguíneo, nomeadamente as leucemias, os linfomas, as anemias, entre outras.




"As células estaminais do sangue do cordão umbilical têm um potencial de diferenciação em qualquer tipo de células da linhagem hematopoiética [sanguínea]" José Belo





Fonte: Jornal do Centro de Saúde


PORTUGAL ENTRE OS PIORES DA EUROPA

 

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