Friday, November 14, 2008

150.000 PORTUGUESES SOFREM DE LOMBALGIA



Zélia Rego


A dor lombar está entre as que mais aflige os portugueses. Stress, vida sedentária, obesidade e má postura são factores de risco.





Rui Delgado, Ortopedista, Especialista em Lombalgia do Hospital Curry Cabral, alerta para a elevada prevalência da dor lombar entre os portugueses. Em Portugal, à semelhança do resto da Europa, subsiste a tendência para subvalorizar a dor como um sintoma menor. Contudo, a dor em geral e a Lombalgia em particular representa a principal causa de absentismo laboral no nosso país. São cerca de 1.400.000 dias de trabalho que se perdem por ano. Calcula-se que 80% da população tem pelo menos uma vez na vida um episódio de Lombalgia.




"Devido à pouca educação para a saúde e fraca consciência do seu próprio corpo, os doentes tendem a sobrevalorizar a dor Lombar, porque ela é geralmente prolongada no tempo e por vezes intensa, ou seja, porque conhecem mal o sintoma atribuem-lhe uma causa grave. Por outro lado, esses doentes são muitas vezes sub-medicados, isto é, a medicação é insuficiente para as características da dor de que padecem. Pessoalmente, penso que é necessária uma mudança de mentalidade não só dos clínicos mas dos próprios doentes. Embora a dor lombar possa ser a manifestação de uma doença que requeira cuidados diferenciados, na grande maioria das vezes ela é apenas devida ao stress, más posturas, fadiga muscular ou artrose. Esta Lombalgia não degenera em doenças graves apesar de poder prolongar-se por vários dias ou semanas", explica Rui Delgado.




Controlar o excesso de peso, gerir os níveis de stress, fazer exercício físico regular e manter uma postura correcta ajuda a prevenir a Lombalgia. Em episódios de crise prolongada é fundamental consultar o médico para despistar a origem da dor e adequar a terapêutica farmacológica. Segundo Rui Delgado, cerca 50% das pessoas que recorrem às urgências de Ortopedia nos grandes centros urbanos, tem Lombalgia ou outra forma de dor raquidiana (dor "na coluna").




"A Lombalgia afecta cerca de 150.000 portugueses e é mais frequente nas populações citadinas. Há menos jovens doentes que idosos. Entre os 20 e os 30 anos a prevalência é de 5%, sendo predominante nos homens. A partir dos 60 anos a prevalência aumenta para os 20%, afectando mais as mulheres, e está principalmente relacionada com a degenerescência articular na coluna vertebral", refere o especialista.







Fonte: Grupo GCI

HEMODIÁLISE EM MOGADOURO

CONTRARIAR A DEPRESSÃO



Andreia Pereira


Entrar na chamada terceira idade não tem de ser sinónimo de apatia e depressão. Se a chegada da reforma lhe deixa mais tempo livre, há que o investir em actividades lúdicas e "fintar" a tristeza e o isolamento. Acredite: melhorar o estado de espírito sente-se por dentro e isso vê-se por fora.





Já pensou no que vai fazer quando chegar a idade da reforma? Se este é o seu caso, antes de se deixar "abater" pela tristeza, deverá procurar desenvolver actividades que lhe dêem alento nesta nova fase da vida. Afinal de contas, como diz Alexandre Dumas, o que nos torna velhos não é a idade, são as doenças que se atravessam no caminho.




Aprenda a sorrir para a vida e atire as tristezas para trás das costas. E isto porque o isolamento e a inactividade podem propiciar o aparecimento de algumas doenças, nomeadamente a depressão. Segundo o Dr. Horácio Firmino, coordenador da consulta de Gerontopsiquiatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra, "esta é a patologia psiquiátrica mais comum na população idosa".




Assim sendo, e já que "as tristezas não pagam dívidas", o melhor mesmo é poupar a saúde, investindo em programas de terapia ocupacional. Ficar em casa deprimido não é a solução para os problemas. Antes pelo contrário. "O estado de desânimo, a perda de interesse, o cansaço físico e intelectual e a falta de perspectivas para a vida influenciam a interacção com o mundo exterior", aponta o médico psiquiatra.




O impacto da depressão não está, apenas, limitado ao convívio social. "Sabe-se que também aumenta o risco de doenças cardiovasculares, nomeadamente a hipertensão arterial ou enfarte agudo do miocárdio. Em alguns casos, quando o idoso manifesta um declínio cognitivo, associado à perda de memória, a depressão pode ser um estado prévio ao desenvolvimento que se segue", completa Horácio Firmino.








Depressão ou crise da idade?




Para Horácio Firmino, a sociedade ainda encara "a depressão como um estado de espírito normal na pessoa idosa", desvalorizando os sintomas de tristeza e apatia. "Felizmente, este não é o apanágio do envelhecimento", acrescenta o especialista, indicando que o humor depressivo não deve ser entendido como uma crise da idade.




"Trata-se de um uma situação persistente no tempo e distinta do estado de desânimo. O diagnóstico de depressão baseia-se em critérios actuais, nomeadamente o aparecimento de tristeza ou perda de interesse, associado a, pelo menos, quatro outros sintomas: perturbação do sono, apetite, culpabilidade, apatia, dificuldade de concentração, ideação suicida", diz o psiquiatra. E adianta que a patologia depressiva "tem tratamento e, quando bem sucedido, melhora a

qualidade e evita um mal maior: o suicídio".




Segundo os dados existentes, a depressão assume-se como "a principal causa do comportamento suicida". Contrariamente aos adolescentes, o acto suicida nos seniores "é, geralmente, fatal". E por várias razões. Desde logo, "pela maior fragilidade física, pela incapacidade em pedirem auxílio (já que muitos dos idosos moram sozinhos) e pela intenção de colocarem termo à vida".




Por todos estes motivos, o psiquiatra alerta para a importância de manter um olhar vigilante sobre algumas populações de risco. "Para evitar situações de suicídio, deve-se redobrar a atenção nos homens com idade superior a 75 anos, viúvos, deprimidos, com problemas de álcool ou com doenças crónicas e incapacitantes."






Razões para sorrir




No livro "Envelhecer com saúde: guia para melhorar a sua saúde física e psíquica", editado pela Lidel, a Dr.ª Belina Nunes, autora da obra e neurologista, reforça o papel do envelhecimento activo nas sociedades actuais. "A reforma tem de ser vista como um tempo em que se abrem novas perspectivas, novos projectos, sempre adiados por falta de tempo", afirma.




Assim, para que se possa aproveitar o que a vida tem de melhor, a neurologista defende a integração dos idosos em actividades de grupo ou em acções que tragam retorno emocional. "Os programas ocupacionais ajudam os idosos a sair do ciclo vicioso da depressão."




Para a especialista, praticar exercício físico regular é "uma óptima maneira de contrariar os sintomas depressivos". Além de manter o corpo activo, a prática de exercício físico estimula a produção de endorfinas - substâncias responsáveis pela sensação de bem-estar".




Ainda assim, "se apesar das tentativas, houver uma persistência dos sintomas de tristeza e desânimo", a especialista aconselha o idoso a procurar um médico. "Nestes casos, pode haver necessidade de medicamentos ou de psicoterapia para ultrapassar a situação causadora de depressão", realça.




Se é um dos recém-reformados, lembre-se que a vida começa agora. E não há razões para ficar triste. Aproveite para ingressar em actividades que antes, quando estava refém do trabalho e da rotina, não conseguiu colocar em marcha. "Esforce-se por viver alegre uma segunda juventude", remata Belina Nunes.





Envelhecimento activo




Envelhecer não significa ficar trancado em casa, a ver os dias a passar. Se está deprimido, invista em actividades que o ajudem a melhorar o humor. Ficam aqui algumas sugestões.
- Praticar uma actividade física individual ou em grupo: caminhadas, natação, ciclismo, dança, jardinagem, entre outras;

- Cuide dos netos;

- Invista na sua formação, inscrevendo-se numa universidade sénior ou num curso de pintura;

- Aproveite para passear, observar a paisagem, conversar com pessoas e apreciar a natureza;

- Quando a meteorologia for desfavorável, vá até a uma biblioteca e escolha um bom livro para ler.





"O estado de desânimo, a perda de interesse, o cansaço físico e intelectual e a falta de perspectivas para a vida influenciam a interacção com o mundo exterior" Horácio Firmino





"A reforma tem de ser vista como um tempo em que se abrem novas perspectivas, novos projectos, sempre adiados por falta de tempo", diz Belina Nunes





Fonte: Jornal do Centro de Saúde

Tuesday, November 11, 2008

A IMPORTÂNCIA DA HIGIENE ORAL

FÍGADO E GRAVIDEZ



Prof. Guilherme Macedo


Por motivos que se desconhecem, as grávidas podem ter no decurso da gestação (ou imediatamente no período pós-parto) uma variedade de problemas de expressão clínica e bioquímica própria das hepatopatias agudas.





Essas entidades nosológicas, cuja patogenia e etiologia são desconhecidas, apenas nos últimos 10 anos passaram merecer atenção mais interessada pelos obstetras e gastrenterologistas/hepatologistas, conforme se pode inferir dos trabalhos de revisão desta década, que tentaram explicitar as diferentes variações do espectro do atingimento hepático agudo da grávida.




Esse acréscimo de conhecimento e interesse terá sido também influenciado pela noção que se tem vindo a adquirir, de que, embora estas situações sejam aparentemente estranhas e peculiares (trata-se de doenças com poucas ou nenhumas semelhanças com situações decorrentes na mulher não-grávida, e sem modelos comparativos nos animais), podem ser sensíveis a atitudes terapêuticas que beneficiam a vida da doente e na maior parte das vezes, do feto.


A maioria dessas mulheres, são jovens e previamente saudáveis e vêem-se, por vezes, envolvidas numa série de acontecimentos rapidamente evolutivos e eventualmente desvastadores, até que se promove um oportuno equacionamento e intervenção. Pode-se, no entanto, obter um resultado francamente encorajador, pois consegue-se habitualmente a recuperação integral e reintegração total destas doentes.




Em rigor, também a magnitude do problema não é conhecida. Como estas situações patológicas podem assumir expressões que vão desde discretas alterações bioquímicas, até franca icterícia e falência hepática fulminante, a real incidência das doenças do fígado decorrentes da gravidez não tem podido ser completamente avaliada. A referida estimativa de incidência da icterícia na gravidez, a oscilar entre 1/1500 gestações ou 1/500 gestações, não deverá corresponder às solicitações clínicas que estes problemas pressupõem.








Diagnóstico diferencial




A experiência pessoal de um Hospital Central, com cerca de 1200 partos/ano, incluiu o pedido médio de consulta de 1-2 caso/mês pelo Serviço de Obstetrícia), sendo as causas mais frequentes, as decorrentes da preeclampsia, em particular a síndrome Hellp (Hemolise, enzimas hepáticas elevadas, tromboatopemia). A própria etnia duma população e a prevalência relativa das infecções endémicas poderá justificar amplas variações, como sejam a colestase intrahepática recorrente benigna nos países escandinavos e Chile, sendo rara nos negros, e a hepatite E particularmente comum e virulenta nos países do Médio Oriente e Índia.




Algumas características simples ajudam a estabelecer a marcha do diagnóstico diferencial: o prurido, por exemplo, só ocorre em algumas doenças (colestase gravídica, esteatose aguda). Mas o critério temporal é muito relevante, sendo importante definir a semana da gestação do seu aparecimento. Ao contrário das hepatites víricas, que podem ocorrer a qualquer altura, as doenças hepáticas específicas da gravidez associam-se a datas especificas de aparecimento; as náuseas, vómitos e icterícia no primeiro trimestre associam-se à hiperemese gravídica, por exemplo, enquanto que a esteatose aguda da gravidez não foi relatada no primeiro trimestre. Já a doença hipertensiva e a hepática, associada a preeclampsia, surgem, tipicamente, no terceiro trimestre. O padrão de alteração das enzimas hepáticas (predominantemente colestática ou citolítica) também ajudam a diferenciar, bem como outras alterações analíticas (trombocitopemia, hiperuricemia e hemólise, por exemplo).




Seja nas circunstancias em que a doença hepática aguda coincide com a gravidez ou que a doença hepática é exclusiva da gravidez (ocorrendo apenas neste período especial e que se resolve com a conclusão da gravidez de forma natural ou provocada), só o correcto diagnóstico e a intervenção terapêutica pronta e ajustada podem diminuir consideravelmente a morbilidade e mortalidade materna e fetal que estas desafiadoras situações clínicas podem provocar.








"Ao contrário das hepatites víricas, que podem ocorrer a qualquer altura, as doenças hepáticas específicas da gravidez associam-se a datas especificas de aparecimento"





Prof. Guilherme Macedo
Director do Serviço de Gastrenterologia do Hospital de S. Marcos, Braga
Professor na Escola de Ciências da Saúde Universidade Minho
Secretário-geral da APEF


Fonte: Jornal do Centro de Saúde

INVESTIGAÇÃO E TRATAMENTO DA HEMOFILIA



Dra. Alice Tavares


A palavra hemofilia tem origem em duas palavras gregas: haima e philein, que significam respectivamente, sangue e amar. Embora o termo não pareça adequado para designar uma doença que se caracteriza por hemorragias incontroláveis, foi esta a designação que perdurou.





A hemofilia é uma doença hereditária de transmissão recessiva, com uma incidência de cerca de um em cada 10.000 nascimentos. A doença é causada por mutações no gene do FVIII ou do FIX que estão localizados no cromossoma X, que faz parte do par de cromossomas sexuais (XY nos homens e XX nas mulheres). Como as mulheres possuem dois cromossomas X, embora possam transmitir a mutação aos seus descendentes, não têm, habitualmente, qualquer sintomatologia (o cromossoma X saudável compensa a deficiência do cromossoma portador da deficiência) no entanto cerca de um terço dos casos são devidos a mutações de novo, não havendo outros casos de doença na família.




Clinicamente a doença caracteriza-se, principalmente nos casos graves, pelo aparecimento frequente de hemorragias, habitualmente sem traumatismo prévio conhecido. Frequentemente, estas ocorrem dentro das articulações (habitualmente nos tornozelos, joelhos e cotovelos) e se repetidas, dão origem à artropatia hemofílica causadora de grandes deformidades físicas e dificuldades funcionais.




A gravidade da hemofilia é classificada de acordo com o nível de factor que o indivíduo possui. (Grave <> 5 %).



Embora se pense que a hemofilia terá existido desde sempre, e já fosse descrita como doença hereditária no século IV no Talmude, o conhecimento e investigação da hemofilia só tem inicio em finais do século XIX: Em 1893 Wright descobre que o tempo de coagulação do sangue destes doentes estava aumentado e posteriormente Addis, Minot e Lee verificaram que esta deficiência se corrigia com a junção de sangue de pessoas saudáveis.




O posterior desenvolvimento da transfusão sanguínea veio permitir a utilização do sangue no tratamento das hemorragias, mas apesar de resultados positivos, esta terapêutica não era totalmente eficaz, pois não era possível administrar o volume de sangue necessário para controlar as hemorragias mais graves. Com a possibilidade de separar o sangue nos seus componentes e principalmente com a produção de derivados sanguíneos liofilizados, foi finalmente possível o controlo efectivo das hemorragias com melhoria significativa da qualidade de vida dos doentes.




No entanto, foi com a percepção de que estes derivados podiam estar contaminados com vírus, como a Hepatite e mais tarde a Sida que se deu o Boom da investigação nesta área, de que resultou o desenvolvimento de processos efectivos de remoção e inactivação viral. (afastando o espectro da transmissão destas doenças através do tratamento com derivados do plasma humano) A clonagem do gene do FVIII em 1984 e a produção do factor em culturas de células de mamíferos constituem marcos milenares na evolução do tratamento da hemofilia. Estes avanços abriram caminho para a produção industrial de concentrados de factores coagulantes, sem recurso ao sangue humano, e permitiram antever a possibilidade da terapia genica.




O inicio da utilização de concentrados recombinantes data de 1987. Desde então, novos produtos têm sido introduzidos no mercado dispondo-se actualmente de concentrados de 3ª geração que são isentos de qualquer proteína de origem humana ou animal.




Em suma, a disponibilidade de produtos eficazes e seguros, tornou possível o tratamento domiciliário. (permitindo o controlo atempado das hemorragias e a profilaxia primária, que se iniciada precocemente, impede o desenvolvimento da artropatia hemofílica.) Contudo muitas crianças não têm acessos venosos que permitam as 2 ou 3 administrações semanais necessárias para que o nível de factor se mantenha sempre superior a 1%, aguardando-se com expectativa, a introdução no mercado de produtos com maior semi-vida que permitam obter o mesmo efeito terapêutico com menor número de infusões.




O desenvolvimento de anticorpos neutralizantes do FVIII ou FIX, que se desenvolvem em 15 a 20 % dos doentes é, actualmente, a mais grave complicação da terapêutica, que nem a terapia genica, ainda distante, promete resolver.




O progresso científico e a melhoria dos cuidados de saúde, transformou a vida destes doentes que com o tratamento adequado podem aspirar a uma vida activa e plenamente realizada, com acesso ao ensino e ao trabalho. Infelizmente a nível mundial só 25 % dos doentes beneficiam deste progresso.








Dra. Alice Tavares,
responsável do Centro Coagulopatias Congénitas,
Serviço de Imuno-Hemoterapia do Hospital de Santa Maria






Fonte: Saúde em Revista

Sunday, November 9, 2008

DIABETES E HIPERTENSÃO "ACELERAM" MORTALIDADE EM PACIENTES COM ALZHEIMER



Cientistas sugerem que os doentes com Alzheimer que sofrem de Diabetes + ou hipertensão podem morrer mais cedo devido a essas condições. Segundo um estudo publicado, a probabilidade destes pacientes morrerem mais cedo é duas vezes superior comparativamente aqueles com demência mas sem diabetes.


Relativamente aos que sofrem de Alzheimer e hipertensão tinham essa mesma probabilidade duas vezes e meia superior em relação aos que tinham um pressão sanguínea normal.


"Estudos já haviam demonstrado que a esperança média de vida em pacientes diagnosticados com a doença de Alzheimer variava entre três e nove anos. Temos aqui dois factores controláveis que podem afectar de forma drástica o tempo de sobrevivência de uma pessoa", afirmou Yaakov Stern, autor do estudo.


O estudo, que envolveu mais de 300 pessoas, revelou também que as pessoas de origem hispânica viviam mais tempo desde que foram diagnosticadas com a doença de Alzheimer comparativamente a pessoas de origem africana ou caucasianos.


No entanto, após um reajuste no que concerne ao género bem como outros factores, estes resultados deixaram de ser significantes.


"Mesmo que estas descobertas não sejam muito significativas, não deixam de ser intrigantes, sendo necessário mais informações para averiguar o impacto destes factores no tempo de sobrevivência de pacientes com Alzheimer", concluiu Yaakov Stern.


Pedro Santos

Saturday, November 8, 2008

ESPECIALISTAS ALERTAM PARA RISCOS DE AUTOMEDICAÇÃO

HORAS DE ESPERA NO CENTRO DE SAÚDE DE OVAR

ÁGUA: FONTE DE HIDRATAÇÃO




Dr. Francisco Furtado Mendonça




O consumo de água engarrafada em Portugal tem conhecido um crescimento sustentado ao longo dos últimos anos, conquistando um lugar de destaque no sector das bebidas.






Apesar do recente abrandamento do crescimento do mercado (sobretudo por razões climatéricas), o consumo de água mineral natural e de água de nascente no nosso país está próximo dos 95 litros/ano per capita (2007), segundo dados de 2007. Este número está, no entanto, abaixo dos valores de consumo médio na União Europeia, superiores a 100 litros ano, especialmente de países como a Itália (198), Espanha (137), França (129), Alemanha (156) e Bélgica (129).





Se hoje os portugueses bebem mais água engarrafada que no passado, deve-se, sobretudo, a uma crescente preocupação com a alimentação, na procura de estilos de vida mais saudáveis. As águas minerais naturais e as águas de nascente engarrafadas são produtos 100% naturais, de excepcional valor e qualidade, com características de sabor apreciadas e reconhecidas pelos consumidores.





Em primeiro lugar, o consumo de água continua a ser, do ponto de vista dos especialistas, uma das melhores formas de hidratação. As águas minerais naturais e as águas de nascente não têm qualquer tipo de aditivo ou químico e são, por excelência, a forma mais saudável de assegurar essa hidratação indispensável ao organismo.





Além disso, estas águas distinguem-se, entre outras características, pela presença de sais minerais e outros oligoelementos. Ora esses componentes são em si mesmos indispensáveis à constituição e ao bom funcionamento do nosso corpo, onde actuam por interacção. Assim, as águas minerais naturais e as águas de nascente podem dar uma contribuição natural ao fornecimento destes minerais, sobretudo numa época em que nem sempre as dietas alimentares são as mais adequadas no que se refere a esses constituintes.









Preocupações ambientais





A indústria das águas minerais naturais e das águas de nascente está por natureza associada às preocupações ambientais. Desde logo porque é uma actividade que depende da protecção ambiental, essencial para a garantia garantir da renovação natural em quantidade e qualidade do recurso objecto da nossa actividade.





No processo de consciencialização da sociedade portuguesa, teremos de louvar o esforço que, ao longo dos últimos 12 anos, a Sociedade Ponto Verde tem desenvolvido com o inequívoco apoio da indústria deste sector. Estivemos na fundação desta inédita iniciativa da sociedade civil e continuaremos a assegurar relevante contribuição e o seu financiamento sustentado.










No que se refere ao impacto ambiental das embalagens, é relevante assinalar que a produção de resíduos de embalagens provenientes da água, não representa mais de 0,03 % da produção total de resíduos em Portugal, nem mais de 0,8 % do valor total dos resíduos domésticos. Acresce que a embalagem de água tanto em vidro como em plástico pode sempre ser separada, recolhida e reciclada. E, de todas as embalagens, as de água são actualmente uma das mais recicladas.







Entre outros sais minerais e oligoelementos evidenciamos alguns dos mais frequentemente encontrados nas águas minerais naturais e nas águas de nascente:



- O cálcio: não é apenas o maior constituinte dos ossos e dos dentes, como também é crucial para o sistema nervoso, contracção muscular, ritmo cardíaco, coagulação sanguínea e função imunitária;

- O magnésio: essencial para todos os principais processos biológicos, é especialmente importante na protecção contra as doenças cardiovasculares;

- O potássio: um dos principais componentes das nossas células, controla a pressão arterial e pode ajudar na protecção contra ataques cardíacos e hipertensão;

- O sódio: juntamente com o potássio e o cloreto, constituem o sangue, a linfa e os líquidos intercelulares. São três nutrientes essenciais na manutenção do equilíbrio de água no corpo e na química sanguínea;

- Os bicarbonatos: são iões carregados negativamente e utilizados na regulação da acidez dos líquidos corporais.







Dr. Francisco Furtado Mendonça
Secretário-geral da Associação Portuguesa dos Industriais de Águas Minerais e de Nascente (APIAM)





Fonte: Jornal do Centro de Saúde
 

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