Saturday, January 31, 2009

Download - CID 10 Código Internacional de Doenças


CID 10 (Código Internacional de Doenças) - pdb
Código Internacional de Doenças em pdb, acesse o código e a doença facilmente.
Apresentam a Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde

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Download - Atlas Virtual de Histologia


Atlas de Histologia - pdb
Atlas de histologia em Português. Já estudei muito por ele.

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Tuesday, January 27, 2009

DAR MAIS VIDA À VIDA


Andreia Pereira

Acompanhar os doentes e famílias em situação de doença incurável e progressiva é o objectivo dos profissionais de saúde que trabalham na área de cuidados paliativos. Quando tudo parece perdido, estes profissionais vêm demonstrar que a vida continua a ter sentido.




A notícia de que se tem uma doença incurável é recebida como uma "bomba". O mundo desabafa e, de repente, a chama da esperança apaga-se, acendendo-se o receio de enfrentar a morte. No choque do momento, muitos doentes reagem com revolta, perante a derradeira frase "Não há nada a fazer!", veiculada por muitos profissionais. Quem trabalha na área de cuidados paliativos garante que há muito a fazer.



Não se trata de uma promessa de cura. "Os cuidados paliativos são dirigidos a pessoas em sofrimento, seja em situação de doenças graves e altamente incapacitantes ou doenças incuráveis e progressivas", explica a Dr.ª Isabel Galriça, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP).



O objectivo, para além de controlar a dor física, é aliviar muito do sofrimento que consome os doentes com patologia incurável e progressiva. "Quando não se pode curar, podemos desenvolver estratégias terapêuticas que visam dar qualidade de vida a estes doentes", acrescenta a médica, também responsável pela Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital da Luz, em Lisboa.



Não se pretende "camuflar" o problema, fazendo de conta que a doença não existe. O trabalho destas equipas de profissionais implica "o exercício de uma Medicina humanizada e, ao mesmo tempo, técnica, que usa todos os meios para promover o conforto dos doentes".



Nos cuidados paliativos "não se usam medidas drásticas, agressivas e desproporcionadas para manter as pessoas vivas". Acima de tudo, "respeita-se a vida, sem ignorar a inevitabilidade da morte", fundamenta. Para Isabel Galriça, os cuidados paliativos "não são o fim da linha". Esta razão justifica o aparecimento precoce e não no momento em que as especialidades esgotaram a resposta.



"Os doentes podem viver meses e, alguns deles, anos a receber cuidados paliativos. E isto não invalida que possam receber apoio de outras especialidades. Uns cuidados não impedem os outros, desde que o objectivo seja maximizar a qualidade de vida."







"Partir" com tranquilidade



Os destinatários destes cuidados, contrariamente ao que se julga, não são apenas os doentes oncológicos. As patologias neurológicas degenerativas, insuficiências hepáticas crónicas, cardíacas, respiratórias, renais, as infecções VIH/Sida, em falência terapêutica, também fazem parte do campo de intervenção da equipa multidisciplinar da Medicina Paliativa.



"Os cuidados paliativos não são uma antecâmara da morte para doentes em fase terminal", reforça Isabel Galriça. Para a especialista, "a morte não é uma possibilidade, é um facto da própria vida". E, independentemente dos avanços da Medicina, "a imortalidade ainda não é uma conquista".



A Medicina Paliativa assume-se, assim, como uma resposta ao sofrimento perante a doença incurável. "Enquanto se julgar que esta fase terminal é, inevitavelmente, um período de angústia, acha-se sempre que não há nada a fazer. Ignorar a morte, para além de nos tornar infelizes, contribui para que o final da vida seja mais traumático."



Então, o que podemos e devemos fazer para que essa não seja uma etapa de sofrimento? "Não se deve olhar para a morte como um fracasso, como uma derrota, como uma batalha perdida. Os profissionais de saúde nesta área entendem que, apesar de ser difícil, têm a função de ajudar as pessoas a partirem com tranquilidade", responde.



Dois anos no terreno


A equipa da Unidade de Medicina Paliativa do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, composta por um núcleo de seis profissionais (e alguns colaboradores), prepara-se para assinalar o seu segundo aniversário. Desde Janeiro de 2007, a equipa tem-se esforçado para que a vida, em virtude de uma doença incurável, ganhe um novo significado.



"Estes doentes não deixam de ter expectativas e desejos. O trabalho técnico não consiste, exclusivamente, no alívio de sintomas. Frequentemente, há assuntos "pendurados" que incomodam e angustiam o doente. Sabemos que o sucesso terapêutico depende de uma intervenção mais alargada contemplando problemas de índole, psicológica e existencial", diz a Dr.ª Filipa Tavares, médica da Unidade.



Ao longo destes dois anos, "várias centenas de doentes e famílias têm demonstrado que é possível manter ou redescobrir a esperança", garante Amélia Matos, enfermeira chefe da Unidade. O trabalho destes profissionais consegue produzir resultados que, embora não sendo a cura, assentam na promoção de conforto e bem-estar. "Os nossos cuidados não têm como objectivo abreviar o tempo de vida, mas sim acompanhar o seu curso", salienta a médica.



O conceito de "dignidade" tem um papel central na Medicina Paliativa. "A filosofia dos cuidados paliativos preconiza o respeito pelo doentes, que, enquanto pessoas, têm o direito de desfrutar daquilo que lhe é mais significativo, independentemente do tempo de vida restante." E para que isso aconteça é preciso respeitar a sua "autonomia", a sua "individualidade", o seu "direito à informação e à tomada de decisão".



Depois da morte, "as famílias que assim o desejam podem continuar a ser apoiadas na consulta de Acompanhamento no Luto", explica a enfermeira. E acrescenta que, "em algumas circunstâncias, o processo de doença de um familiar ou amigo pode despertar uma necessidade de ajuda ao próximo", havendo pessoas que, "mais tarde, encontram em programas de voluntariado uma forma de partilharem vivências e saberes adquiridos".







Cuidados Paliativos em Portugal



Comparativamente com outros países, "Portugal está ao mesmo nível na área de cuidados paliativos", diz Isabel Galriça. A única diferença permanece na disponibilidade de alguns fármacos para o tratamento da dor, como é o caso da metadona. "Mas do ponto de vista de preparação dos técnicos e de diferenciação estamos no mesmo patamar que a Espanha ou Canadá". Sendo esta uma área que requer formação específica, a presidente da APCP (www.apcp.com.pt/) é da opinião de que ainda existem falta de profissionais em Portugal.



"O ministério comprometeu-se a criar mais unidades, mas o que se tem visto é que há unidades que se preparam para encerrar, o que não se coaduna com esta preocupação." Para se inaugurarem mais unidades, Isabel Galriça reforça a necessidade de se prepararem mais profissionais nesta área, porque "o factor qualidade é de extrema importância".


Fonte: Jornal do Centro de Saúde

QUANDO A VISÃO SE VAI "APAGANDO"



Dr. Jorge Breda


O glaucoma é uma doença ocular que se caracteriza pela morte progressiva das fibras do nervo óptico. Por esta razão, verifica-se uma dificuldade em transportar para o sistema nervoso central as informações que chegam ao olho e que se destinam a ser percebidas como imagens.





Como é sabido, o globo ocular comporta-se como uma máquina fotográfica: tem uma lente, formada pela córnea e pelo cristalino, que foca a luz na retina. Aí, tal como na máquina fotográfica, a luz desencadeia fenómenos químicos que, por sua vez, geram diferentes correntes eléctricas. Estas correntes são transportadas até ao cérebro - onde vão ser "processadas" e "reveladas" como imagens - por uma espécie de "cabo coaxial", que é o nervo óptico.




Percebe-se, portanto, que, se o nervo óptico perder parte das suas fibras nervosas, há informação que não chega ao seu destino. Logo: a qualidade e a quantidade de visão diminuem. No glaucoma esta diminuição, por incrível que pareça, não dá sintomas, porque as pessoas vão-se adaptando e não consciencializam a perda no seu dia-a-dia. É parecido com o envelhecimento: hoje estamos mais velhos do que ontem, mas não notamos.




As células vão morrendo, o campo de visão vai empobrecendo, a sensibilidade ao contraste vai alterando e não se dá por nada. Calcula-se que, mesmo quando aparecem os primeiros defeitos no campo visual, já houve perda de cerca de 40% das fibras do nervo óptico, sem tal ser percebido pelo doente.








Glaucoma não é hipertensão ocular




A tensão ocular alta é um importante factor de risco, mas não é tudo. Sabe-se que quem tiver uma tensão ocular de 27mm de hg tem 50% de hipóteses de desenvolver glaucoma e que quem tiver uma tensão de 23mm de hg tem essas hipóteses reduzidas para 10%. Mas há pessoas com uma tensão ocular considerada normal, por exemplo 16mm de hg, que mesmo assim desenvolvem morte celular no nervo óptico e, portanto, glaucoma.




Há, então, outros factores que conduzem a uma má perfusão sanguínea do nervo óptico, e, por conseguinte, a danos graves no seu metabolismo. São eles a hipotensão sistémica diastólica, que ocorre durante a noite em certos indivíduos, as alterações vasculares provocadas pela hipertensão sistémica de longa duração, a diabetes e a miopia elevada.




A forma anatómica da cabeça do nervo óptico dentro do globo ocular, a história familiar, a idade (mais frequente a partir dos 40 anos), a raça (mais frequente na raça negra) são também factores de risco importantes.




É preciso, por isso, prevenir a morte celular, porque, uma vez ocorrida, esta é irreversível. Nessa altura, o tratamento limita-se a tentar adiar o mais possível o declínio das fibras nervosas sobrantes, de forma a preservar a visão existente nesse momento. O ideal será fazer o diagnóstico antes de haver sintomas. Para isso é preciso observar regularmente as pessoas que têm os factores de risco enunciados, sobretudo os que têm antecedentes na família ou que ultrapassaram os 40 anos.




Somente o oftalmologista o pode fazer, porque ao examinar o globo ocular sabe detectar sinais muito precoces, que são prenúncio de glaucoma. Por isso os oftalmologistas aproveitam as consultas de rotina de pessoas que se queixam de um olho vermelho, de má visão para perto ou para longe corrigível com simples óculos, para observar todo o globo e, em seguida, fazer exames sofisticados para confirmar o diagnóstico, se houver suspeitas.






Devolver a visão




O tratamento pode ser médico (instilação de gotas), cirúrgico ou com laser. O seu objectivo é baixar a pressão ocular, de tal modo que o fluxo sanguíneo chegue mais facilmente ao nervo óptico. Os medicamentos actuam diminuindo a produção do humor aquoso ou facilitando a sua saída do globo ocular. A cirurgia procura criar novos e alternativos canais de drenagem.




E o laser procura facilitar o escoamento alargando o sistema existente. Todos têm a sua indicação, variando de pessoa para pessoa. É importante que o doente adira ao tratamento. Os medicamentos são altamente comparticipados, precisamente porque esta doença cega. Mesmo assim, calcula-se que um terço dos pacientes, mesmo devidamente informados, não faz a terapêutica com regularidade, porque não têm sintomas e, portanto, não sentem necessidade de o fazer.



Fonte: Jornal do Centro de Saúde

Wednesday, January 14, 2009

ENTRE EM 2009 EM GRANDE FORMA



Maria Vassalo

Ao iniciar o novo ano delineamos os principais objectivos e fazemos promessas que muitas vezes nos custam muito a cumprir!





Duas vezes por semana: Massagem reafirmante




Este método é especialmente indicado para as pessoas que queiram devolver à pele do seu corpo um aspecto firme. Graças à sua acção consegue atenuar-se a flacidez e eliminar a celulite, ganha com o passar dos anos ou por oscilações bruscas de peso.




Este tratamento é realizado na base de manipulações especificas de cada zona a tratar. Manipulações profundas que incidem especialmente sobre o tecido subdérmico, tendo como finalidade produzir o aumento do fluxo sanguíneo aumentando a temperatura da pele. Com movimentos enérgicos e drenantes são dissolvidos os nódulos de gordura. Posteriormente as percussões que tonificam, acalmam e desintoxicam a epiderme dessas zonas. Para optimizar os efeitos destas massagens, são utilizados cremes específicos liporedutores, que têm um efeito regenerador. As zonas onde pode aplicar-se este método de massagem são as pernas, coxas, nádegas, abdómen e braços.





Uma vez por semana: Mesoterapia




A Mesoterapia é um tratamento altamente efectivo para combater a celulite. Consiste na aplicação intradérmica ou subcutânea de medicamentos em doses mínimas, com a ajuda de pequeníssimas agulhas que actuam directamente na zona desejada. O efeito sobre a celulite será a dissimulação progressiva da gordura localizada nas diferentes zonas a tratar, graças aos produtos homeopáticos empregues que actuam directamente sobre o tecido adiposo.
Os resultados que se conseguem são magníficos.





Duas vezes por semana: Termosudação




Trata-se uma técnica que ao aplicar calor no corpo conseguimos a eliminação massiva de líquidos do organismo o que se traduz numa progressiva redução de peso e de volume já que o organismo é obrigado a queimar as suas reservas de gordura. Por esta razão, este tratamento é indicado para reduzir volume e peso e de forma definitiva tratar a obesidade e melhorar o aspecto da celulite localizada. O tratamento é constituído por 2 a 3 sessões semanais de cerca de 30 minutos. As sessões são cómodas e de um inteiro relaxe porque o paciente fica deitado durante todo o tempo, envolto numa manta térmica que actua por si. A termosudação, só, ou associada a outros tratamentos como as dietas ou as massagens reduz de forma notável o peso e o volume melhorando não só o aspecto estético do paciente, mas também o seu estado de saúde.





Duas vezes por semana: Drenagem linfática




O objectivo destas massagens é estimular através de suaves pressões com as mãos os pontos chave do sistema linfático, sistema paralelo ao circulatório. As principais zonas linfáticas são as axilas e as virilhas, e é precisamente a estas que se deve prestar maior cuidado, para que a massagem seja mais efectiva. Esta massagem ajuda a libertar as toxinas acumuladas, a potenciar os resultados das dietas e a desinchar.





Uma vez por semana: Massagem subdérmica




Na maioria das vezes para eliminar a celulite não é só necessária uma dieta adequada, mas também fazer tratamentos específicos que actuem directamente sobre a gordura. Um dos tratamentos mais eficazes no combate à celulite e ao aspecto "casca de laranja" é a massagem subdérmica.




Esta técnica consiste na aplicação de uma revolucionária terapia de massagens subcutâneas efectuadas com um aparelho que usa a pressão pneumática para estimular a circulação cutânea interior, nas zonas a tratar. Além deste efeito, as massagens subdérmicas também dissolvem a gordura localizada para que o corpo a elimine por via renal. Este tratamento é perfeitamente inócuo e nada agressivo além de ser realizado sob um estreito controlo médico. Cada uma destas cómodas sessões dura 30 minutos.




Os benefícios terapêuticos são: melhoria da circulação sanguínea e o fluxo linfático, aumento da oxigenação do sangue até 15%, aumento de forma considerável a elasticidade dos tecidos, estimulação da produção de urina e acelera os processos metabólicos.

Tuesday, December 30, 2008

ANTIGRIPAIS DESACONSELHADOS



Alguns dos medicamentos de venda livre mais conhecidos e usados para o tratamento de gripes e constipações - como o Ilvico, Antigrippine e Cêgripe - não são recomendados pelo Prontuário Terapêutico - que serve de guia aos médicos -, por combinarem várias substâncias activas. "Estes medicamentos não são mesmo os mais indicados", aponta o especialista em Medicina Interna, Alfredo Caldeira. Por outro lado, o presidente da delegação regional da Ordem dos Farmacêuticos, Paulo Sousa, garante que não há problema na utilização destes fármacos, desde que estejam "adequados ao quadro clínico" da pessoa em questão.

O médico Alfredo Caldeira não confia neste tipo de medicamentos e desaconselha mesmo o recurso a estes fármacos. "Tudo o que seja misturas de fármacos deve ser utilizado com cautela porque podem trazer problemas", apontou.

Para o especialista, dentro dos medicamentos de venda livre para tratamento de gripes existem outros mais consensuais e apropriados, como os que possuem paracetamol, ácido acetilsalicílico (aspirina) e ibuprofeno. "Todos os outros deviam ser usados só em último caso e eu desaconselho mesmo o seu uso", afirmou.

O especialista disse ainda ao DIÁRIO que esta situação não implica que se fale numa possível retirada destes fármacos do mercado, mas que, na sua opinião, são realmente "nefastos para a saúde" de quem os utiliza.

O presidente da delegação regional da Ordem dos Farmacêuticos, considera, no entanto, o Ilvico como um dos medicamentos "mais completos" para o tratamento de gripes e constipações, mas garante que, ao recomendá-lo, faz sempre um pequeno questionário sobre a situação clínica da pessoa que o vai usar, uma vez que o Ilvico não é apropriado para hipertensos. "Quem aconselha deve saber o que está a fazer", explicou, referindo que é sempre necessário ter "cuidado ao gerir a utilização dos medicamentos de venda livre".

"Por ser de venda livre, não quer dizer que se use de uma forma qualquer", alertou, sublinhando que quem quer fazer uso deste tipo de fármacos "deve informar-se se é aconselhável". "É importante ter essa noção", frisou, acrescentando que, em caso de dúvida, as pessoas devem consultar sempre, ou até mesmo telefonar, ao farmacêutico.

Paulo Sousa alertou ainda para o facto de ser importante ter em atenção que estes medicamentos não são fórmulas milagrosas, só por figurarem em publicidades constantes. "É importante passar a mensagem de que não são remédios milagreiros", sublinhou.

Peritos preferem "alternativas" Segundo informação divulgada ontem pela Lusa, os peritos que elaboram o Prontuário Terapêutico consideram que há no mercado "alternativas mais adequadas" a estes medicamentos. Um desses peritos, Walter Osswal, em declarações à Lusa, em Março deste ano, explicou que, quando uma substância activa é eficaz, deve ser usada isoladamente e não em associação com outras.

A maioria dos medicamentos que surgem em publicidades para combater sintomas gripais associam o paracetamol - que alivia a dor e a febre - a outras substâncias activas, como a cafeína, codeína e ácido ascórbico.

Nessa ocasião, o perito sublinhou, no entanto, que o Prontuário Terapêutico funciona como "um conselheiro médico", não estabelecendo dogmas e proibições aos profissionais.

Para a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), o facto de estes medicamentos não serem recomendados "não significa que não possam ser utilizados, que constituam qualquer problema para a saúde pública ou tenham de ser retirados do mercado".
Fonte: Diário de Notícias

DESILUSÃO NA ENFERMAGEM

O hospital continua sob o signo da mudança. Nova equipa, novo rumo à 'casa'. Depois da insatisfação de alguns médicos que foram dispensados da chefia dos serviços, é a vez dos enfermeiros. A classe, pela voz do presidente do Sindicato, fala de "descontentamento" em relação ao novo regulamento interno, porque "aponta para uma 'sectorização' na prestação dos cuidados de saúde".


Juan Carvalho esperava mais da equipa que gere a saúde (SESARAM), no sentido de colocar lado a lado os dois grupos profissionais - médicos e enfermeiros - que são mais decisivos nos cuidados ao doente. Mas a recente reunião com o presidente do conselho de administração trouxe "desilusão" aos profissionais de enfermagem, porque o projecto de regulamento interno indicia uma secundarização dos enfermeiros na gestão hospitalar, ficando a classe debaixo da alçada dos médicos.

"Contra (indi)gestão..."

A questão é séria e vai ser debatida hoje numa reunião entre o Sindicato dos Enfermeiros da RAM e os seus associados, aliás divulgada em anúncio no DIÁRIO, com uma ordem de trabalhos que se resume à "proposta de regulamento interno da SESARAM". Não deixa de ser também curiosa a forma como os associados são mobilizados para a reunião de hoje, com os seguintes apelos: "É importante a mobilização dos enfermeiros à volta deste documento. A gestão dos cuidados de saúde também engloba os cuidados de enfermagem. Contra a (indi)gestão na enfermagem".

Já a Ordem dos Enfermeiros prefere esperar para ver, embora apele à participação dos colegas na reunião do Sindicato. Élvio Jesus quer esperar até ver homologado o texto final do regulamento, mas não deixa de criticar o facto de "se manter um 'medicocentrismo' no novo regulamento, isto é, os enfermeiros ficam sem lugar de gestão nos departamentos hospitalares" (vide destaque na página).

Quem não compreende este descontentamento é o presidente do conselho de administração. Almada Cardoso deixa bem claro que, "no regulamento, estão sempre salvaguardadas a autonomia e a idoneidade técnica da enfermagem." Mas não só. Almada Cardoso explica que a classe continua a contar com "um enfermeiro-director, que está ao mesmo nível do director clínico (para a área médica), que por seu turno coordena os enfermeiros supervisores e chefes de enfermagem".

O responsável máximo pela gestão hospitalar sublinha que a sua equipa não veio "inovar nada. Todas as competências e carreiras de enfermagem estão devidamente consagradas, em respeito até pelas leis gerais do País. Não se pode sequer pensar que um regulamento interno se sobrepõe às leis gerais que regulam a enfermagem, aliás em fase de revisão a nível nacional." Mas a serenidade e o optimismo de Almada Cardoso não chegam para sossegar o pessoal da enfermagem que quer saber onde e como está explicitamente consagrada a presença dos enfermeiros nos órgãos de gestão da SESARAM.

O presidente do Sindicato começa por explicar ao DIÁRIO que há um projecto de regulamento interno que aponta no sentido de uma nova organização do serviço regional de saúde em departamentos, serviços e unidades funcionais. O regulamento anterior previa a implementação dos centros de responsabilidade, ideia que não vingou e foi substituída agora pela departamentação ao nível dos cuidados de saúde primários, desta feita com a designação de agrupamento de centros de saúde.

O representante sindical coloca a "questão central" nestes termos: "Seja departamento ou grupos de centros de saúde a criar, não se pode gizar uma organização dos cuidados de saúde sem ter em conta os dois grupos profissionais mais influentes: os médicos e os enfermeiros." Juan Carvalho diz mesmo que "nunca se deverá cair na tentação de 'sectorizar', isto é, ter à frente dos departamentos de saúde só médicos, mas sim médicos e enfermeiros, lado a lado." O sindicalista vai mais longe e avisa que privilegiar só os médicos na liderança "não é funcional para o sistema e criam-se ambientes instáveis que não estão em condições de dar as melhores respostas".

No entanto, Juan Carvalho confessa que a nova orgânica que vai ser implementada contraria os princípios mencionados. A pedido do Sindicato, já houve audiência com o conselho de administração e as perspectivas não são boas. O dirigente sindical explica-se: "Esta nova orgânica que se quer implementar é que nos desilude, porque está desfasada daquela que é hoje a organização recomendável dos cuidados de saúde. O regulamento interno aponta para a departamentação dos médicos e não é nada claro nas atribuições que reserva aos enfermeiros, o que é um risco com consequências incalculáveis porque não vai favorecer a melhoria dos cuidados de saúde." Os enfermeiros reúnem hoje para conhecer as propostas do regulamento interno e acertar a estratégia. Para já, o clima é de "descontentamento".

'Medicocentrismo'

O presidente da Ordem dos Enfermeiros na Região espera para ver. Élvio Jesus quer pronunciar-se definitivamente após a promulgação do regulamento. No entanto, explica que a Ordem já reuniu com o secretário regional dos Assuntos Sociais e com o conselho de administração da SESARAM. "Foi-nos garantido que a autonomia da gestão e da prestação dos cuidados de enfermagem estava assegurada. Esta garantia foi-nos dada em audiência formal e como estamos perante pessoas de boa fé, não há razões para duvidar".

Mas Élvio Jesus admite que "há outras normas no regulamento que não são aceitáveis", nomeadamente aquilo que designa de 'medicocentrismo'. Explicitando melhor: "Continua, no novo texto, o chamado 'medicocentrismo', isto é, tudo demasiado centrado na função do médico, e não houve garantias de que isto seria alterado. Resta esperar pela versão final".

Na prática, a SESARAM garante, ao nível da gestão dos centros de saúde, a presença dos enfermeiros na figura do adjunto do director. Uma mudança que não é a ideal mas aceitável. O problema é a gestão hospitalar, na qual os enfermeiros se sentem excluídos ou sem participação.
Fonte: Diário de Notícias

Friday, December 26, 2008

TOXOPLASMOSE NA GRAVIDEZ



O que é a toxoplasmose? A toxoplasmose é uma infecção que pode pôr em perigo a saúde do seu bebé.





É causada por um parasita, o Toxoplasma gondii. Este parasita multiplica-se no intestino dos gatos, pelo que pode encontrar-se em fezes de gatos, e é preciso ter especial cuidado com a manipulação das "caixas" de dejectos destes animais.




A mulher grávida pode ser contaminada durante este processo ou em contacto com a terra por onde circulem gatos, e existam fezes, que contém oocistos libertados pelo parasita. Os oocistos resultam do ciclo sexuado do parasita que ocorre apenas nos intestinos dos felinos (não acontece com os cães, por exemplo).




A mulher grávida deve estar atenta porque também pode ser contaminada pela ingestão de alimentos mal cozinhados como a carne mal passada de animais que contenham este parasita. Além disso, as pessoas que trabalham em jardinagem ou mexem habitualmente em carne crua correm também riscos de contrair toxoplasmose.








O que acontece se eu apanhar toxoplasmose?




Os adultos habitualmente saudáveis não apresentam sintomatologia quando são infectados.




Os sintomas são raros, podendo assemelhar-se a gripe vulgar. No entanto se for infectada durante a gravidez, pode passar a infecção ao seu bebé. O bebé pode não desenvolver nenhuma doença, ou ficar seriamente doente afectando sobretudo o cérebro e os olhos.




Se foi infectada antes da gravidez, 6 a 9 meses antes, com o Toxoplasma gondii, vai tornar-se imune. A infecção não se tornará a reactivar durante a gravidez e por isso raramente existe risco para o bebé.








Como sei se tenho toxoplasmose?




Podemos realizar uma análise ao seu sangue para ver se teve contacto recente ou passado com o parasita, através da determinação dos anticorpos anti IgG e a IgM para o Toxoplasma gondii.




Esta análise deve ser efectuada o mais cedo possível para evitar erros de interpretação, porque o período mais perigoso para apanhar toxoplasmose é durante o 1º trimestre de gravidez. De preferência deve ser efectuada antes da gravidez ou o mais cedo possível.




Se não fizer a análise e não souber se está imunizada ou não, deve tomar todas as precauções para evitar a infecção, protegendo o seu bebé.



Como posso evitar a toxoplasmose?




Não deixar o seu gato sair para evitar a sua contaminação durante a gravidez e se possível ter alguém que ajude no tratamento dos dejectos do seu gato.




Se tiver mesmo de o fazer, deve usar sempre luvas e evitar a aspiração durante o tratamento da caixa de dejectos, que deve ser mudada diariamente e passada por água a ferver. Os oocistos demorarão 1 dia a tornarem-se infecciosos.








Cuidados a ter:




Lavar sempre bem as mãos depois de tratar dos dejectos do gato.




Usar sempre luvas na jardinagem, e lavar muito bem as mãos depois.




Evitar moscas que podem disseminar a infecção tocando nos alimentos após contacto com terra contaminada.




Cozinhar muito bem a carne pelo menos 15 a 20 m antes de a consumir. Evitar comer carne mal passada, ovos crus, vegetais mal lavados e frutas não descascadas.




Não beber leite não pasteurizado.




Ter sempre o cuidado de lavar as mãos antes de comer e após manuseamento de material suspeito.








E se eu apanhei toxoplasmose?




No caso da análise sugerir a infecção recente, (nunca podemos garantir a datação da infecção mas se após 3 semanas o nível do anticorpo anti-toxoplasma IgG duplicar isto é muito provável), temos de despistar a infecção no bebé.




Para isso, actualmente fazemos a pesquisa do Toxoplasma gondii no líquido amniótico, pelo que terá de fazer uma amniocentese, nunca antes de 4 semanas após a suspeita do contacto da mãe e nunca antes das 18 semanas de gravidez.




Existem sinais ecográficos que nos indicam também a suspeita de infecção no feto.




O bebé deve ser seguido até ao primeiro ano de vida pois em cerca de 1/3 das situações não conseguimos fazer o diagnóstico antes de nascer.




Existe tratamento para a mãe e para o bebé, que evita formas mais graves ou mesmo o aparecimento da doença dependendo da precocidade do diagnóstico.







Fonte: LABLUXOR

Tuesday, December 16, 2008

BRONQUIOLITES AGUDAS AFECTAM 80% DAS CRIANÇAS ATÉ AOS 2 ANOS


Andreia Pereira



Com as temperaturas a descer, começam a aparecer as bronquiolites agudas. Mas, como é uma situação frequente até aos 24 meses de vida, o tratamento, na grande maioria dos casos, pode ser realizado no domicílio.





Estamos a caminho do Inverno e, por norma, nesta altura do ano é frequente aparecerem situações de bronquiolite aguda. Tudo começa com sintomas de tosse e corrimento nasal que, praticamente, se confundem com uma constipação. Mas, quando o quadro evolui, surge a sibilância, um sinal respiratório de uma eventual bronquiolite aguda. Contudo, tirando casos excepcionais, não há motivo para alarme, já que estes episódios são comuns em crianças até aos 24 meses de idade.




Os tratamentos, diz a Dr.ª Celeste Barreto, chefe de serviço de Pediatria do Centro Hospitalar Lisboa Norte (Hospital de Santa Maria em Lisboa, "podem ser realizados em casa, pelos próprios pais", excepto quando "a criança apresenta baixa de oxigénio ou recusa alimentar".




Segundo a especialista, apesar de as bronquiolites poderem "assustar" os pais, não há necessidade de levar a criança ao hospital, a não ser em crianças abaixo dos seis meses ou que tenham alguma patologia congénita. Subtraídos estas situações, grosso modo, exclui-se a hipótese de internamento, uma vez que o tratamento é simples e facilmente colocado em marcha a partir de casa.

"Regra geral, a terapêutica implica uma maior hidratação, com ingestão de líquidos, e uma alimentação mais fraccionada, já que, devido ao cansaço, a criança precisa de comer menos quantidade de cada vez. Deve-se, ainda, proceder à lavagem nasal com soro fisiológico", refere a especialista.




Um dos primeiros cuidados dos pais deverá ser a "verificação dos movimentos", para testarem eventuais dificuldades respiratórias. "Se não houver compromisso da respiração e a criança tolera a alimentação, pede-se aos pais que hidratem, desobstruam as fossas nasais e aguardem. Não é urgente ir ao hospital, já que as bronquiolites são auto-limitadas e, a partir do terceiro dia, começam a passar, sem deixar sequelas."








Cuidados a ter




No decorrer das bronquiolites, é possível que as crianças apresentem "farfalheira". Perante este cenário, os pais não se devem precipitar com a cinesioterapia (drenagem das secreções). "Este procedimento pode agravar o quadro clínico, principalmente se for realizado numa fase precoce", explica Celeste Barreto.




Em vez da cinesioterapia, a pediatra propõe um conjunto de manobras que facilitem a libertação das secreções através da tosse. E como? "Fazendo cócegas, incentivando-a a dar saltos na cama. Esta é uma técnica ‘caseira' de provocar a tosse."




Todas as medidas que ultrapassem a hidratação, a limpeza de secreções com soro fisiológico e a alimentação fraccionada devem, na perspectiva da pediatra, ser evitadas, até indicação em contrário por parte de um profissional de saúde. "Apenas uma percentagem reduzida de casos necessita de internamento hospitalar, a não ser que haja um agravamento da situação, com febres altas, recusa alimentar e falta de oxigénio."








Conselhos para os pais:




- As bronquiolites agudas não configuram uma situação grave;




- São episódios passageiros, com uma duração que se pode prolongar até às três semanas;




- O controlo pode ser feito a partir de casa, com a implementação de medidas gerais: hidratação, limpeza das secreções e vigilância dos movimentos respiratórios;




- Em certas situações, devido ao perigo de contágio, sugere-se que uma criança com bronquiolite aguda seja retirada ao infantário;




- Não é necessário recorrer ao hospital, a não ser em casos de crianças abaixo dos seis meses ou com alguma complicação de saúde.








Fonte: Jornal do Centro de Saúde

Thursday, December 11, 2008

PARKINSON



Dr. Rui Vaz



O nome de doença de Parkinson deve-se ao facto de ter sido descrita pela primeira vez em 1817 por um Médico Inglês de nome James Parkinson que lhe chamou "Paralisia tremórica".





O modo como esta doença se expressa é muito variado. As primeiras manifestações da doença são frequentemente inespecíficas, como apenas uma dificuldade em efectuar determinado movimento, muitas vezes descrita como uma "perda de jeito", por exemplo da mão. Depois com ritmos variáveis conforme a evolução da doença vão surgir a rigidez, a progressiva lentidão de movimentos e o tremor (a doença de Parkinson pode não incluir tremor e há muitas formas de tremor que não são doença de Parkinson). Podem ou não surgir depois uma grande variedade de sintomas como desequilíbrio, alterações do sono ou urinárias, ansiedade e depressão.




Sabe-se hoje que esta doença do movimento deriva da falta de uma substância química que é imprescindível no bom funcionamento dos circuitos nervosos que controlam os nossos movimentos. Tudo se passa como se as células responsáveis pela produção desta substância deixassem de a produzir e na sua ausência os circuitos que dela necessitam passassem a funcionar de um modo deficiente. Não existe no entanto evidência de qualquer hereditariedade nesta doença (excepto em raras formas familiares).




Desde que se compreendeu esta origem da doença, o tratamento passou a ter como objectivo dar ao doente a substância química em falta (L - dopa), melhorar a utilização da existente e impedir a sua degradação. Foi esta a mudança que ocorreu nos anos 60 com a generalização mundial da utilização da L - dopa, sendo então convicção generalizada que se tinha conseguido o controle da doença.




Com a medicação consegue-se um bom controlo da doença durante muitos anos. Existem hoje no mercado múltiplos medicamentos eficazes, não sendo correcto fazer qualquer comparação quanto à gravidade da doença conforme os medicamentos prescritos: eles são escolhidos de acordo com as manifestações da doença sendo errado afirmar que uma forma de doença é mais ou menos grave porque toma, ou não, um ou outro medicamento.




Só demorou dez anos a desfazer--se o sonho inicial. A verdade é que há um grupo de doentes dos quais o tratamento médico perde o efeito e/ou o doente desenvolve efeitos laterais que tornam a medicação intolerável. Nestes doentes (cerca de 5% do total ou seja em Portugal 100 novos casos em cada ano) a cirurgia pode ser uma solução.




Esta técnica iniciou-se nos anos 90 em Grenoble no conceito de cirurgia funcional: nenhum tecido é destruído ou retirado, sendo colocado de cada lado do cérebro num núcleo de células situado profundamente um estimulador ao qual chegam estímulos eléctricos gerados numa bateria colocada debaixo da pele no torax. Este estímulo altera o funcionamento desse núcleo e permite o controle dos sintomas.





A conclusão mais importante é pois a de que o diagnóstico da doença não é o fim da vida e que com um tratamento adequado é possível manter uma boa qualidade de vida durante muitos e bons anos. Torna-se assim imprescindível que o doente não se isole com vergonha de si e da sua doença, mas que, pelo contrário, mantenha todas as suas actividades e, se possível, que com o seu exemplo ajude outras pessoas com a mesma doença.




Quer os diversos medicamentos existentes quer a cirurgia não conseguem hoje mais do que o controle dos sintomas, continuando porém a ocorrer a degradação das células responsáveis pelo agravamento progressivo da doença. Não é ainda hoje conhecido como, mas seguramente que o futuro terá que passar por recuperar as células de cujo funcionamento alterado resulta a doença. No entanto, ao analisar a evolução ocorrida nos últimos anos, não posso deixar de ficar sinceramente convencido de que nos próximos anos conseguiremos o objectivo essencial de atingir a cura desta doença.








Dr. Rui Vaz,
Director do Serviço de Neurocirurgia do HSJ e
Professor associado do serviço de Neurologia e Neurocirurgia da FMUP








Fonte: Saúde em Revista
 

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